Nem tudo é o que nos querem fazer parecer que seja.
Porque a Ana Sofia é uma pessoa de que gosto e me respondeu com a maior das dignidades, destaco aqui a seu comentário. Acrescentado ainda, que bom seria que a politica fosse sempre assim, feita por pessoas, tranquilas, resolvidas, e acima de tudo com convicções serias, e objectivas. Obrigado Sofia por seres tu mesma.
Escrito por: Ana Sofia Bettencourt às 2005/04/14 - 22:32
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Caro João,
Nem tudo é o que nos querem fazer parecer que seja.
Não imaginas como aprecio a forma clara e directa com que escreves tudo isto. Digo-te que, tal como tu, também eu acho que a política tem regras e que os órgãos do partido terão de se pronunciar sobre as candidaturas autárquicas, quando o presidente do nosso partido assim o entender. Como tu bem sabes, não se pode fazer parte de uma equipa apenas para participar nos momentos bons! Não podemos ter o melhor de dois mundos. Estar e não estar… indo estando!
Aquilo que escreveste, no meu conceito de politica, encaixa-te no perfil daqueles que têm medo de fazer opções, dos que, calculistamente, se resguardam por terem medo de afirmar o que quer seja quando as certezas não estão no caminho que há a percorrer.
Bem sabes, João, que não condiciono ninguém! Nunca o fiz e nunca o farei. Digo e sempre disse, de forma directa e clara, o que acho e o que penso e gostava que os outros também tivessem essa postura. Não porque isso egoisticamente me agrade, mas porque na vida e, em especial, na política, a reserva mental é sinónimo de princípios flexíveis e moldáveis. O carácter, os princípios e as causas das pessoas são revelados, acima de tudo, pela honestidade mental consigo próprios e para com os outros.
Porque a minha vida é guiada pelo que aqui te escrevo, digo-te que não condiciono, como nunca condicionei (far-me-ás essa justiça), ninguém. Acredito na liberdade de opção que cada ser, individualmente, tem, com especial ênfase quando se trata de um político. Mas todos os actos têm, necessariamente, consequências. Quando optamos por fazer parte de uma equipa, sabemos à partida que as nossas acções têm reflexos e consequências nas outras pessoas. Por isso, e tendo, obviamente, liberdade para decidir TUDO, cada um deve fazer o que a consciência lhe dita, sendo que, feita a opção, ou se está ou não se está. Na certeza que não se pode ir estando! Se estar significa ir contra os princípios ou suas crenças de cada um, então quando se faz a opção inicial deve-se decidir, em coerência, não entrar num projecto que violente a sua consciência.
É certo que por vezes as pessoas mudam de perspectiva, de opinião, depois de terem feito uma opção. Mas também aí têm liberdade de escolha! Podem, livremente, e sem problemas, deixar de estar, assumindo que deixaram de acreditar na EQUIPA. Não é, moralmente, possível a alguém ter o melhor de dois mundos que sejam antagónicos à luz da sua consciência, sob pena de hipotecar os seus princípios e a sua honestidade intelectual.
A vida é, efectivamente, feita de opções.
A liberdade de cada um termina onde começa a do outro e em tempo algum se podem interferir mutuamente. Por isso, sem dramas, a atenção não deve estar em mim mas sim em quem não querendo estar vai estando. Assim seria correcto!
Esta sou eu, fiel a mim própria.