Arquivo | 13. Jul, 2005

Oportunidade perdida.

Num período conturbado como o que vivemos, numa fase em que Portugal não tem soluções para o crescimento económico. Perde-se uma oportunidade excelente para que se encontrem pequenas soluções estratégicas.

As eleições autárquicas deviam ser uma manifestação de movimentos estratégicos, de planeamento urbano e regional, de encontrar sinergias e soluções credíveis para traçar uma melhor qualidade de vida para as pessoas.

Mas nada disso se passa, as autarquias salvo raras excepções, são um lugar de lutas internas partidárias, onde ganham os mais fracos intelectualmente. Os que de alguma forma podem ser uma mais valia para as autarquias são convenientemente afastados, com o receio de que postos a prova consigam vencer o desafio e a população fique assim satisfeita, e depois ninguém mais os tira de lá. Este é infelizmente o pensamento dos políticos de bairro que são colocados a gerir as autarquias, sem formação, e sem visão estratégica.

 

Quando se abordam temas como a qualidade das cidades, o ambiente, o planeamento e os objectivos estratégico, ninguém sabe responder qual é o caminho. A discussão que é feita é sempre a mesma, lugares. Os Políticos de bairro não querem saber se tem ou não capacidade de desempenhar funções, não sabem reconhecer as suas limitações, não se importam se construíram um “Centro de Dia” no cume de um monte, o importante é que construíram um “Centro de Dia”, não querem saber se o telheiro provisório em chapa de uma “Escola Primaria” passou a definitivo, o que importa é que não chove na escola. Não faz diferença que um parque infantil não tenha uma sombra, as crianças têm onde brincar, isso é que importa.

 

Infelizmente estas situações são comuns, e más demais para ser verdade, e as que aqui retrato nem são as mais graves. No meu entender existe uma enorme falta de qualidade, formação e estratégia por parte dos partidos políticos, no que diz respeito a gestão dos seus quadros. Numa época em que se deveria esgrimir ideias, inventar soluções, definir estratégias. Ninguém sabe o que eu penso sobre o que é melhor para Lisboa, e se o que o que eu penso colide com o pensamento do candidato da Junta de Freguesia que faz fronteira com a minha, e se o que os dois pensamos se enquadra no que o candidato à Câmara pensa para a cidade.

 

Assim é impossível ganhar qualidade urbana, e perspectivar o futuro, assim é impossível servir com qualidade.

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