Os alunos portugueses são os que permanecem menos tempo no sistema de ensino, no quadro dos países que formam a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). De acordo com um estudo internacional hoje divulgado, os nossos estudantes frequentam a escola durante cerca de oito anos, menos quatro do que a média dos restantes países com assento naquele organismo.
No relatório “Panorama Educativo” de 2005, Portugal surge no grupo de países cuja população entre os 25 e os 34 anos apresenta qualificações académicas mais baixas. No pólo oposto encontram-se os Estados Unidos e a Noruega, com médias de permanência no sistema educativo de 14 anos. Logo a seguir na lista dos países com quadros mais habilitados surgem a Dinamarca, Luxemburgo e Alemanha.
O mesmo relatório revela que, nos últimos anos, o número de jovens que termina o Ensino Secundário tem aumentado na generalidade dos países que compõem a OCDE: dos 30 analisados, em 21 deles mais de 60% dos indivíduos entre os 25 e os 34 anos concluíram, pelo menos, o 12.º ano.
Em países como a Coreia do Sul, Eslováquia, Japão e República Checa, a percentagem de conclusão do Ensino Secundário é ainda mais expressiva, chegando à casa dos 90%.
Pelo contrário, Portugal está novamente no grupo de países com pior performance, uma vez que metade das pessoas entre os 25 e os 34 anos não concluíram com êxito o 12.º ano, o mesmo se passando na Turquia e no México.
A disparidade das taxas de sucesso educativo entre países ao nível do Ensino Secundário vai repercutir-se naturalmente no patamar seguinte: de acordo com o relatório internacional hoje conhecido, em países como Portugal, Áustria e Luxemburgo, a percentagem de diplomados não chega sequer à barreira dos 10%, ao passo que na Austrália, Dinamarca, Japão, Canadá, Holanda, Coreia do Sul ou Islândia ultrapassa os 20%.
O mesmo relatório da OCDE revela ainda que Portugal é dos países que menos gastos têm com a educação. O custo do ensino por aluno - desde o Básico até ao Ensino Superior - ronda os 4900 euros anuais, o que coloca o nosso país no 17.º lugar da tabela. Atrás de Portugal surgem, entre outros, Espanha e a República da Irlanda, com gastos entre os 4900 e os 4070 euros anuais por aluno. O fim da tabela é ocupado pelo México (1600 euros).
Já a média de investimento anual dos países que formam a OCDE ronda os seis mil euros por aluno. Estes dados - que se reportam a 2002 - colocam a Suíça e os Estados Unidos no topo da tabela dos países que mais gastos anuais apresentam: cerca de 8900 euros por estudante.
Por níveis de ensino, Portugal despendeu com o 1.º e 2.º ciclos 4025 euros, enquanto no 3.º ciclo do Básico e no Ensino Secundário foram gastos por ano e por estudante 5655 euros. No Superior, o investimento do Estado português em cada estudante diminuiu para uma média de 3590 euros.
Em termos de verbas que o Estado gasta com os salários dos professores, Portugal ocupa a 20.º lugar no cômputo dos 30 países, despendendo por ano cerca de 27 mil euros brutos por cada docente do 3.º ciclo com 15 anos de experiência. Comparando estes valores com os colegas espanhóis, o professorado português ganha, em média, menos cinco mil euros por ano.
Os professores do Luxemburgo são os que mais recebem, auferindo cerca de 65 mil euros por ano, seguidos dos suíços (48 mil/ano) e dos alemães (40 mil/ano).No fim da escala surgem os docentes húngaros (13 mil/ano), os polacos (8 mil euros/anos) e os eslovacos (6500/ano).