Nov
21
2005
Já não é a primeira vez que me colocam esta questão, umas vezes de forma delicada outras vezes de forma rude e bem indelicada. Porque não usas o sobrenome do teu Pai? Gonçalves.
Não entendo por vezes porque as pessoas que me colocam esta questão olhando-me de lado, mostrando alguma indignação. Por norma ignoro outras vezes chego mesmo a sentir que me olham com desdém porque não uso o nome Gonçalves. Por mais que tente procurar justificação para este facto não consigo entender. Mais ainda quando comentando com o meu Pai, ele me diz: “Já pensaste que tipo de relação com os seus pais para além do nome tem essas pessoas? Será que se respeitam, será que conseguem manter uma relação como a nossa? Será que vão chegar a sentir o orgulho que sinto por usares o nome do meu avô materno? Que é a minha referência de vida.
Pois é meu pai, provavelmente nem tem a nossa relação, nem se respeitam como nos e muito menos sentem orgulho da família como tu me ensinaste a ter.
Embora não seja essa a justificação pelo uso do Mesquita e não do Gonçalves é motivo mais que suficiente para que durma de consciência tranquila no que diz respeito ao uso do sobrenome Mesquita que também é sobrenome paterno. A razão pela qual adoptei o sobrenome Mesquita foi natural uma coisa de escola. Sempre me trataram assim, talvez porque era um nome menos vulgar não sei explicar mas sempre me trataram por Mesquita, e quando comecei a trabalhar, assim se seguiu e mantive, achei que não havia razões para mudar, aliás até mesmo o meu Pai em alguns momentos sociais de cariz mais formal me trata assim Mesquita, “o meu filho João Mesquita…”. Por incrível que pareça até mesmo na tropa me tratavam por Mesquita. Por isso não posso conseguir compreender as motivações de algumas pessoas em levantarem esta questão de uma forma leviana e ofensiva. Sim porque uma coisa é perguntar “Porque não usas o Gonçalves?”, outra coisa é perguntar “Não usas o Gonçalves porquê? Não te dás bem com o teu pai ? Não gostas do teu avô?” Não sei que lhes diga, o que eu sei é que nem a minha costela Monárquica consegue compreender este tipo de reacção.
O meu nome é João Miguel Narciso Candeias Mesquita Gonçalves, chamem-me por qualquer um deles que tenho orgulho em todos.
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Nov
1
2005
Concluído que está o acto de posse, aqui estou eu sentado na cadeira de Presidente de Junta, iniciando o dia com uma conversa com Deus, onde lhe pedi que desse força a todos a minha volta e que olhasse pelos que mais amo. Que olhasse pela Elizabete, pelo Pedro, pelo Monteiro, pela Magda e pela Adriana . Que ficasse atento ao meu pai e a minha mãe e que não deixasse de estar também atento a todos aqueles que de uma forma ou de outra me tem dado a possibilidade de viver em prol dos outros. É sempre assim quando se está numa missão como esta, pelo menos eu entendo assim, os amigos a família ficam sempre para trás e nunca deixam de nos amar. Por isso este meu encontro com Deus hoje foi dedicado a eles, aos que ao longo dos anos me fizeram feliz sem cobrar nada em troca, e as famílias do Vasco e da Claudia pelas mesmas razões.
Logo de seguida iniciamos o mandato realizando a primeira reunião de executivo para que ficasse lavrado em acta as responsabilidades de cada um, amanhã bem cedo começamos a trabalhar sempre em prol da população e da melhoria da sua qualidade vida.
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Nov
1
2005
Quem És Tu, de Novo
Quando a janela se fecha e se transforma num ovo
Ou se desfaz em estilhaços de céu azul e magenta
E o meu olhar tem razões que o coração não frequenta
Por favor diz-me quem és tu, de novo?
Quando o teu cheiro me leva às esquinas do vislumbre
E toda a verdade em ti é coisa incerta e tão vasta
Quem sou eu para negar que a tua presença me arrasta?
Quem és tu, na imensidão do deslumbre?
As redes são passageiras, as arquitecturas da fuga
De toda a água que corre, de todo o vento que passa
Quando uma teia se rasga ergo à lua a minha taça
E vejo nascer no espelho mais uma ruga
Quando o tecto se escancara e se confunde com a lua
A apontar-me o caminho melhor do que qualquer estrela
Ninguém me faz duvidar que foste sempre a mais bela
Por favor, diz-me que és alguém, de novo?
Quando a janela se fecha e se transforma num ovo
Ou se desfaz em estilhaços de céu azul e magenta
E o meu olhar tem razões que o coração não frequenta
Por favor diz-me quem és tu, de novo?
Autor: Jorge Palma
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