“Deixe lá encontramo-nos no céu, um dia.”
Não tenho memoria, de alguém me ter contado uma história de sorte e muito menos de eu mesmo ter vivido uma história de sorte assim. Este fim-de-semana pateticamente, perdi a minha carteira no Amoreiras, já mais pensei que a ia reaver. Dentro algum dinheiro, o suficiente o para o jantar daquela noite e uma ida a Évora com almoço incluído sem ter de recorrer ao multibanco. É certo que jantei na mesma, mas já não foi a Évora. Incrédulo comigo mesmo e sem reagir pensei na imensidão de procedimentos que teria de tomar para voltar a ter todos os documentos que estavam na minha carteira.
Esta manhã recebo um telefonema de alguém que não conhecia, que me diz precisar de falar comigo e só comigo. Este alguém era um senhor com setenta e poucos anos, que não me quis dizer o nome, que veio ter comigo sem dizer de onde, que encontrou a minha carteira intacta, com todo o que tinha antes de a perder, que não quis aceitar nenhuma recompensa, nem que o levasse casa ou a qualquer parte. Pediu-me que o deixasse ir, depois da minha insistência em que pelo menos almoçássemos juntos. Retirou-se em passinhos curtos, olhando-me nos olhos disse-me respondendo a minha desilusão por não me deixar retribuir o seu gesto. “Deixe lá encontramo-nos no céu, um dia.”
Ainda sem comentários...Seja o primeiro a deixar uma resposta!