May 24 2007

A Balada dum Estranho.

Nesta minha alucinante mania de procurar nos poemas de Jorge Palma explicação para tudo, acabei por encontrar a mais perfeita analogia do comportamento de Carmona Rodrigues. Aqui fica para memória futura.

A Balada dum Estranho

Hoje acordaste de uma forma diferente dos outros dias
Sentes-te estranho
Tens as mãos húmidas e frias
Tentas lembrar-te de algum pesadelo
Mas o esforço é em vão
Parece-te ouvir passos dentro de casa
Mas não sabes de quem são

Deixas o quarto
E vais à sala espreitar atrás do sofá
Mas aí tu já suspeitas que os fantasmas não estão lá
Vais à janela e ao olhares para fora
Sentes que perdeste o teu centro
E de repente descobres
Que chegou a hora de olhares para dentro

Porque há qualquer coisa que não bate certo
Qualquer coisa que deixaste para trás em aberto
Qualquer coisa que te impede de te veres ao espelho nu
E não podes deixar de sentir que o culpado és tu

Vês o teu nome escrito num envelope
Que rasgas nervosamente
Tu já tinhas lido essa carta antecipadamente
E os teus olhos ignoram as letras
E fixam as entrelinhas
E exclamas: “Mas afinal… estas palavras são minhas!”

O caminho para trás está vedado
E tens um muro à tua frente
E quando olhas prós lados vês a mobília indiferente
E abandonas essa casa
Onde sentiste o chão a fugir
Arquitectas outra morada,
Mas sabes que estás a mentir

Porque há qualquer coisa que não bate certo
Qualquer coisa que deixaste para trás em aberto
Qualquer coisa que te impede de te veres ao espelho nu
E não podes deixar de sentir que o culpado és tu
E não podes deixar de sentir que o culpado és tu

 

 


May 18 2007

Está encontrada a Solução

Saio rua baixo gritando ao mundo, “Está encontrada a Solução”. A resistência de alguns não parece fazer sentido e nada me demove de continuar gritar. Mexo e remexo a memória e não me consigo recordar de ter dado tanto.

Paro de repente e lembro-me do quanto tenho desprezado os que verdadeiramente não se importam que eu seja assim, louco e emocional.

Era com eles que eu deveria estar. Mas depois? Como viverei sem as lágrimas de alegria em ver quem posso ajudar a ser um pouquinho mais feliz?

Não posso agora deixar que me derrubem a mim e aqueles que lutam a meu lado.

Sinto o desespero de ter sido traído mas não consigo nem guardar remorsos nem ter pena. Paro então, olho a minha volta e vejo que vale verdadeiramente a pena lutar em nome da verdade. Com a certeza que a mim e aos meus pares, nos tentaram consumir até a exaustam. De nada lhes servirá, podem consumir-me ou até acabar comigo, sentir-me-ei sempre feliz por ver sorrir aqueles por quem luto para que o seu dia de amanhã seja melhor que o de ontem. Porque enquanto eu e aqueles que em mim confiam vivermos, nada nem miguem nos demoverá. Resta-me então continuar a gritar, “Está encontrada a Solução”